
Finalmente após um longo e teneboroso inverno nuclear (?) estou lançando o segundo capítulo do Como Perdi Peso Correndo.
Conhece o Pai Mei? Segue à risca os fundamentos ou será castigado! Esqueça disso. A primeira coisa que você deve saber é que paciência e dedicação são frutos da empolgação, e você só vai concordar comigo se tiver paciência para ler este texto até o fim. Eu disse isso? Sim, eu disse isso.
Veja bem, o problema de ser (ou estar, como preferir) gordinho não é nada comparado ao problema de um atleta profissional tentando diminuir seu tempo nos 10km em 20 segundos. O “pro” com certeza vai precisar de mais dedicação do que você.
Senão veja, eu sou uma morsa muito chateada por estar gordo e então entro no oráculo e procuro: como emagrecer correndo. Me deparo com uma resposta super completa, que me diz o que comer, o que não comer, quanto correr, porque correr em determinada freqüência cardíaca.
Agora que eu já emagreci e tenho uma familiaridade com os termos usados nesse texto, ele faz um enorme sentido para mim, mas ei, eu ainda sou uma morsa, e esse texto está muito chato para um ser como eu, eu quero emagrecer! Ao invés de ler um texto complexo e completo sobre corrida, você deveria estar correndo.
A primeira corrida, é uma caminhada!
Caso você comece a correr e se empolgue, a primeira corrida será para você como o primeiro sutiã para as garotas: Inesquecível. Não, você não vai sentir liberdade, tampouco vai se sentir magro, você nem mesmo vai conseguir se sentir quando terminar. O que você deve usar como motivação é o quanto você está sem fôlego, tenha raiva disso, essa é a melhor hora! Eu ainda tinha o adicional de ter estar começando o meu namoro, com uma garota linda, magra e felizmente muito compreensiva. Querer estar bem para quem você ama também ajuda um bocado.
Minha primeira corrida foi, como a maioria absoluta das primeiras corridas, curta. Durou no máximo 4 minutos, tempo no qual eu percorri impressionantes 500 metros. O lugar onde corri é uma imensa e longa reta de 2,5 km. Então o que fiz foi caminhar os 2 km restantes e depois voltar a mesma distância a pé. É pouco, mas eu garanto que fiquei com muita raiva de mim mesmo, “respeite sempre seu limite” mas volta e meia dê seta e ultrapasse ele.
E então no dia seguinte eu acordei super disposto a bater minha meta, certo? Não mesmo. Eu estava um bagaço e não me animei a botar o pé para fora de casa. Sem saber eu estava fazendo algo importantíssimo: descansando. Se você quer correr amigo, anote aí, você vai ter que aprender a descansar também.
Algumas semanas se passaram, dos 500m iniciais fui para o primeiro km, daí para os 2km foi um pulo. Nessa época meu irmão ficou empolgado com os resultados (sim, para quem está muito gordo os resultados da corrida aparecem rápido, você se sente “desinchado”) e passou a me acompanhar. Companhia para correr é algo maravilhoso, muito bom mesmo, se você puder, comece a correr junto com alguém, mas não se comprometa demais nem com o ritimo nem com a (des)empolgação do seu acompanhante. Vide o exemplo do meu irmão, que com a mesma velocidade que quis correr desistiu. Ok, obrigado pela companhia, mas eu tenho que emagrecer!
Passada essa primeira etapa comecei entrar num estágio das corridas que alguns profissionais do meio conhecem por ser um período de total e absoluto prazer ao correr.
Para pular o papo furado, minha opinião é que nessa fase você começa a sentir os efeitos de estar viciado nessa droga chamada endorfina.
Durante os meses seguintes a história foi a mesma, corrida. Apenas corrida. Nada de dietas, nada de remédios, só corrida. E foi assim que eu comecei a emagrecer, rapidamente e de um modo saudável.
Uma das coisas mais erradas que você jamais deve fazer é associar dietas radicais a uma rotina de exercícios. Isso não funciona, pense apenas em se controlar na comida mas não se preocupe se vez ou outra você não resistir às tentações das guloseimas da casa da Vovó.
A frase que mais ouvi na época que comecei a correr foi “Nossa, como você emagreceu!”.
10 meses se passaram e eu, no auge da minha empolgação, me deparo com o site aonde era possível se inscrever em uma corrida de 10km pelas ruas de BH. Fiz minha inscrição totalmente por impulso, sem ter me preocupado muito com o fato de que eu jamais tinha corrido 10km (embora eu nunca soubesse quantos KM tinha corrido pois naquela época o único equipamento de corrida que eu tinha era o par de tênis).
Uma corrida de rua é algo extremamente simples do ponto de vista do atleta amador (e põe amador nisso). É como um enorme treinamento coletivo, festivo e... sofrido. Sabe aquela história de que certas coisas são melhores percebidas quando vistas por um outro ângulo?
Pois bem, eu só pude perceber o benefício que todos aqueles meses de corrida tinham me feito quando recebi, na semana seguinte à corrida, a minha foto estilo “corredor-sofredor”:

Preciso falar mais alguma coisa? Sim, preciso. Mas fica pros próximos capítulos.
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